segunda-feira, 13 de outubro de 2014

CARACTERES DA LEI NATURAL



614. Que se deve entender por lei natural? “A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.”
615. É eterna a lei de Deus? “Eterna e imutável como o próprio Deus.”
616. Será possível que Deus em certa época haja prescrito aos homens o que noutra época lhes proibiu? “Deus não se engana. Os homens é que são obrigados a modificar suas leis, por imperfeitas. As de Deus, essas são perfeitas. A harmonia que reina no universo material, como no universo moral, se funda em leis estabelecidas por Deus desde toda a eternidade.”
617. As leis divinas, que é o que compreendem no seu âmbito? Concernem a alguma outra coisa, que não somente ao procedimento moral?
“Todas as da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma.”
a) — Dado é ao homem aprofundar umas e outras?
“É, mas uma única existência não lhe basta para isso.”
Efetivamente, que são alguns anos para a aquisição de tudo o de que precisa o ser, a fim de se considerar perfeito, embora apenas se tenha em conta a distancia que vai do selvagem ao homem civilizado? Insuficiente seria, para tanto, a existência mais longa que se possa imaginar. Ainda com mais forte razão o será quando curta, como é para a maior parte dos homens.
Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O DE QUE PRECISA O ESPÍRITO PARA SE SALVAR. PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO



1. Ora, quando o filho do homem vier em sua
majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-
se-á no trono de sua glória; – reunidas diante
dele todas as nações, separará uns dos outros,
como o pastor separa dos bodes as ovelhas – e
colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à
sua esquerda.
Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:
vinde, benditos de meu Pai, tomai posse
do reino que vos foi preparado desde o princípio
do mundo; – porquanto, tive fome e me destes

• O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola
do bom samaritano
• O mandamento maior
• Necessidade da caridade, segundo S. Paulo
• Fora da Igreja não há salvação. Fora da verdade
não há salvação
de comer; tive sede e me destes de beber; careci
de teto e me hospedastes; – estive nu e me
vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive
preso e me fostes ver.
Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor,
quando foi que te vimos com fome e te demos de
comer, ou com sede e te demos de beber? – Quando
foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou
despido e te vestimos? – E quando foi que te soubemos
doente ou preso e fomos visitar-te? – O
Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas
as vezes que isso fizestes a um destes mais
pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo
que o fizestes.
Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda:
Afastai-vos de mim, malditos; ide para o
fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus
anjos; – porquanto, tive fome e não me destes de
comer, tive sede e não me destes de beber; precisei
de teto e não me agasalhastes; estive sem
roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere
e não me visitastes.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

OBSERVAI OS PÁSSAROS DO CÉU





6. Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; – acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; – porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.
Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?
Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? – e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?
Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; – entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. – Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé!
Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? – como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidade delas.
Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. – Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (S. MATEUS, 6:19 a 21 e 25 a 34.)
7. Interpretadas à letra, essas palavras seriam a negação de toda previdência, de todo trabalho e, conseguintemente, de todo progresso. Com semelhante princípio, o homem limitarse-ia a esperar passivamente. Suas forças físicas e intelectuais conservar-se-iam inativas. Se tal fora a sua condição normal na Terra, jamais houvera ele saído do estado primitivo e, se dessa condição fizesse ele a sua lei para a atualidade, só lhe caberia viver sem fazer coisa alguma.
Não pode ter sido esse o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse de outras vezes, com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los. (Cap. XIV, nº 6; cap. XXV, nº 2.)
Não se deve, portanto, ver, nessas palavras, mais do que uma poética alegoria da Providência, que nunca deixa ao abandono os que nela confiam, querendo, todavia, que esses, por seu lado, trabalhem. Se ela nem sempre acode com um auxílio material, inspira as idéias com que se encontram os meios de sair da dificuldade. (Cap. XXVII, nº 8.)
Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário. O homem, porém, insaciável nos seus desejos, nem sempre sabe contentar-se com o que tem: o necessário não lhe basta; reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Freqüentemente, ele se torna infeliz por culpa sua e por haver desatendido à voz que por intermédio da consciência o advertia. Nesses casos, Deus fá-lo sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro. (Cap. V, nº 4.)