8. A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus
pontos, a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e
muito ativas, se bem os homens erradamente as confundam com a negação do
sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a
resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações
que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime não pode ser resignado, do
mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a
encarnação dessas virtudes que a antiguidade material desprezava. Ele veio no momento em que a sociedade romana
perecia nos desfalecimentos da corrupção. Veio fazer que, no seio da Humanidade
deprimida, brilhassem os triunfos do sacrifício e da renúncia carnal.
Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício
que a tem de salvar ou perder.
