O QUE SE DEVE ENTENDER POR
POBRES DE ESPÍRITO
2. A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de
espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e
não para os orgulhosos.
Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam
geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que
consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção.
Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até
Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde
os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até
mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais
belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos
de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que
possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender,
não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação
as sentenças que proferem.
