594. Têm os animais alguma linguagem?
“Se vos referis a uma linguagem formada de sílabas e
palavras, não. Meio, porém, de se comunicarem entre si,
têm. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que
imaginais. Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é
restrita às necessidades, como restritas também são as
idéias que podem ter.”
a) — Há, entretanto, animais que carecem de voz. Esses
parece que nenhuma linguagem usam, não?
“Compreendem-se por outros meios. Para vos comunicardes reciprocamente, vós outros, homens, só dispondes
da palavra? E os mudos? Facultada lhes sendo a vida de
relação, os animais possuem meios de se prevenirem e de
exprimirem as sensações que experimentam. Pensais que
os peixes não se entendem entre si?
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sábado, 2 de maio de 2020
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Da mediunidade nos animais
234. Podem os animais ser médiuns? Muitas vezes tem sido
formulada esta pergunta, à qual parece que alguns fatos respondem afirmativamente.
O que, sobretudo, tem autorizado a opinião dos que pensam assim são os notáveis
sinais de inteligência de alguns pássaros que, educados, parecem adivinhar o
pensamento e tiram de um maço de cartas as que podem responder com exatidão a
uma pergunta feita. Observamos com especial atenção tais experiências e o que mais admiramos foi a arte que houve de ser
empregada para a instrução dos ditos pássaros.
Incontestavelmente, não se lhes pode recusar uma certa dose de
inteligência relativa, mas preciso se torna convir em que, nesta circunstância,
a perspicácia deles ultrapassaria de muito a do homem, pois ninguém há que
possa lisonjear-se de fazer o que eles fazem. Fora mesmo necessário supor-lhes,
para algumas experiências, um dom de segunda vista superior ao dos sonâmbulos
mais lúcidos.
Sabe-se, com efeito, que a lucidez é essencialmente variável e
sujeita a frequentes intermitências, ao passo que nesses animais seria permanente
e funcionaria com uma regularidade e precisão que em nenhum sonâmbulo se veem. Numa
palavra: ela nunca lhes faltaria.
Na sua maior parte, as experiências que presenciamos são da
natureza das que fazem os prestidigitadores e não podiam deixar-nos em dúvida
sobre o emprego de alguns dos meios de que usam estes, notadamente o das cartas
forçadas. A arte da prestidigitação consiste em dissimular esses meios, sem o que o efeito não teria graça. Todavia, o
fenômeno, mesmo reduzido a estas proporções, não se apresenta menos interessante
e há sempre que admirar o talento do instrutor, tanto quanto a inteligência do aluno,
pois que a dificuldade a vencer é bem maior do que seria se o pássaro agisse
apenas em virtude de suas próprias faculdades. Ora, levá-lo a fazer coisas que
excedem o limite do possível para a inteligência humana é provar, por este
simples fato, o emprego de um processo secreto. Aliás, há uma circunstância que
jamais deixa de verificar-se: a de que os pássaros só chegam a tal grau de
habilidade, ao cabo de certo tempo e mediante cuidados especiais e
perseverantes, o que não seria necessário, se apenas a inteligência deles estivesse
em jogo. Não é mais extraordinário educá-los para tirar cartas, do que os
habituar a repetir árias, ou palavras.
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